FAQ
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1. Por que a RENAMA pede tantas informações?
A RENAMA foi criada para fortalecer, no Brasil, a implementação, o desenvolvimento, a validação, a disseminação e a adoção de métodos alternativos ao uso de animais, incluindo ações de capacitação, qualidade laboratorial e oferta de ensaios com metodologias alternativas. Por isso, quando um laboratório pede para entrar na Rede, a análise não verifica apenas “se existe o laboratório”, mas também se ele tem condições reais de contribuir para a missão da RENAMA.
Em outras palavras, a RENAMA precisa saber: quem é o laboratório, o que ele já faz, qual proposta quer desenvolver, quem compõe a equipe, qual a infraestrutura disponível, qual o nível de qualidade e segurança do ambiente laboratorial e como esse laboratório pode colaborar com a Rede. É exatamente isso que o formulário busca capturar.
2. Qual é a base legal da análise?
A análise do pedido de associação segue, principalmente, a Portaria GM nº 4.556/2021, que criou a RENAMA. Esse ato estabelece que o laboratório interessado deve submeter proposta à Coordenação Executiva da Rede, e que a decisão será tomada em consenso com os Laboratórios Centrais. A portaria também exige apresentação de documentos de regularidade jurídica, CNPJ, identificação do responsável técnico, comprovação de capacidade técnico-científica e outros documentos que possam ser considerados necessários.
Além disso, a RENAMA teve sua vigência renovada por tempo indeterminado pela Portaria SEPPE/MCTI nº 7.979/2024, o que mantém a Rede ativa e plenamente apta a receber e analisar solicitações de associação.
3. O que a RENAMA olha primeiro?
A primeira etapa é a verificação documental. A equipe técnica vai observar se o laboratório apresentou os documentos básicos exigidos, como:
- documento de criação, estatuto, contrato social, regimento ou outro instrumento equivalente;
- comprovante de inscrição no CNPJ;
- identificação do responsável técnico e comprovação de vínculo com o laboratório; e
- elementos que demonstram a capacidade técnico-científica do laboratório.
Se faltar algum documento essencial, o pedido pode ficar incompleto e precisar de diligência antes de avançar para a análise de mérito.
4. O que faz uma proposta ser considerada tecnicamente forte?
Uma proposta forte é aquela que mostra, com clareza, como o laboratório contribui para os objetivos da RENAMA. Isso significa explicar bem:
- a experiência do laboratório na sua área de atuação;
- por que quer entrar na RENAMA;
- qual projeto, linha de trabalho ou conjunto de atividades pretende desenvolver;
- quais resultados espera gerar para a Rede; e
- como essa atuação ajuda o Brasil a avançar em métodos alternativos e NAMs.
Não basta escrever que o laboratório “apoia os 3Rs” ou “trabalha com inovação”. O ideal é demonstrar isso com evidências concretas: linhas de pesquisa, métodos já executados, serviços prestados, publicações, experiência em validação, implantação de protocolos, treinamento de pessoal, participação em redes e capacidade de colaboração com outras instituições.
5. Como a equipe técnica avalia a viabilidade do laboratório?
A RENAMA observa se o laboratório tem pessoas, estrutura e rotinas compatíveis com o que pretende fazer. Por isso, o formulário pergunta sobre:
- composição da equipe;
- produção técnica e científica;
- equipamentos e capacidade analítica;
- experiência em cultura celular e cultura de tecidos;
- estrutura de garantia da qualidade e controle de qualidade; e
- programa formal de capacitação e treinamento.
Se essas informações estiverem ausentes, vagas ou sem comprovação, a viabilidade técnica fica fragilizada. Na prática, isso significa que o laboratório deve anexar documentos e apresentar texto suficientemente claro para mostrar que tem condições reais de executar o que propõe.
6. Qual é a importância do sistema de qualidade?
Muito grande. A RENAMA valoriza laboratórios que demonstrem maturidade em qualidade laboratorial, segurança, rastreabilidade, documentação, controle de equipamentos, retenção de registros e princípios de BPL. A própria Portaria nº 4.556/2021 inclui entre os objetivos da Rede o incentivo à implementação de sistema de qualidade laboratorial e dos princípios das Boas Práticas de Laboratório (BPL).
Por isso, o formulário pergunta sobre BPL, conhecimento do programa brasileiro de reconhecimento da conformidade em BPL, Boas Práticas de Laboratório Clínico, e também sobre o grau de implementação de normas e elementos relacionados a ISO 17025, ISO 17043, ISO 15189, ISO 13485, POPs, segurança, calibração, manejo de informação e gestão de amostras e sistemas-teste. Mesmo que o laboratório ainda não esteja em nível pleno, é importante demonstrar em que estágio está e qual é o plano de amadurecimento.
7. A infraestrutura laboratorial também pesa?
Sim, e bastante. A análise vai verificar se o laboratório dispõe de condições mínimas para atuação em métodos alternativos, especialmente quando a proposta envolve cultura celular, métodos in vitro, armazenamento criogênico, execução de protocolos específicos e eventual apoio a áreas estratégicas da Rede. O formulário pergunta exatamente sobre isso.
Além disso, o proponente precisa indicar qual Laboratório Central (Inmetro, INCQS ou LNBio) tem maior afinidade com sua proposta. Essa informação ajuda a RENAMA a entender como o laboratório pode se encaixar operacionalmente na Rede e com quem sua proposta tem maior correlação técnica.
8. O que a RENAMA quer ver em termos de impacto?
A Rede quer saber se o laboratório vai gerar impacto científico, tecnológico e institucional. Isso pode aparecer de várias formas:
- criação ou internalização de novos métodos;
- aumento da capacidade nacional de ensaio em métodos alternativos;
- validação, comparação interlaboratorial e padronização;
- treinamento de recursos humanos;
- apoio à regulação e possível diálogo com normativos do CONCEA ou aplicações com potencial regulatório; e
- disseminação de conhecimento para outros laboratórios e para a sociedade.
Quanto mais o laboratório mostrar que sua entrada na RENAMA fortalece a infraestrutura nacional de métodos alternativos, melhor será sua posição na análise de mérito.
9. Se eu quiser participar da Chamada CNPq/MCTI nº 11/2026, o que preciso saber?
A Chamada CNPq/MCTI nº 11/2026 – RENAMA e NAMs apoia projetos em métodos alternativos e NAMs e valoriza propostas em rede, capacitação de laboratórios, internalização de métodos reconhecidos, ações de treinamento, validação e fortalecimento da RENAMA.
O ponto mais importante para os pesquisadores é este: o FAQ oficial informa que a instituição de execução precisa integrar a RENAMA. Se não integrar, a proposta pode ser considerada não recomendada. Se o seu laboratório ainda não faz parte da Rede, é necessário solicitar a associação em tempo hábil, conforme o prazo de submissão da chamada.
10. O que você deve fazer antes de enviar o pedido?
Antes de protocolar seu pedido, confira se você já organizou:
- documentos jurídicos e institucionais do laboratório;
- CNPJ e identificação formal do responsável técnico;
- texto claro sobre experiência institucional e objetivos de ingresso na RENAMA;
- descrição do projeto/atividades e cronograma;
- currículos e comprovações da equipe;
- evidências de equipamentos, infraestrutura e métodos já executados;
- documentos e informações sobre qualidade, BPL, POPs e treinamento; e
- explicação objetiva de como o laboratório vai contribuir para a RENAMA e para um dos Laboratórios Centrais.
11. Resumo final
Em resumo, a RENAMA analisa o pedido de associação olhando para três perguntas centrais:
(a) o laboratório está regular e devidamente documentado?
(b) o laboratório tem competência técnica, equipe e infraestrutura para atuar na área?
(c) a entrada desse laboratório fortalece, de fato, os objetivos da RENAMA?
Se essas três dimensões estiverem bem demonstradas no formulário e nos anexos, a proposta estará muito mais robusta para análise pela Coordenação Executiva e pelos Laboratórios Centrais.